Flor, nega, bem, querida, amiga, mor, amor, de algum jeito uma dor, um desamor, um dês-querer, uma fuga inevitável da morte. Oração morta, desconfiada, ingerida inadvertidamente,por orgulho, por raiva, pela força pulsante do impulso, por inocência. Barata inocência comprada á vista, no recado da caixa o aviso: não aceitamos devolução.
Doce, docinho, companheira, amiga... Fraqueza madura, madura franqueza, infinitas maturidades que não amadurecem. A infantilidade é inalienável. Quis ter-te profundamente, quero voltar a ter-me novamente.
Perdi, por ai, um lugar qualquer um pedaço de mim. Tudo bem, um só pedaço, mas... o melhor pedaço, o mais importante, o básico, o laço, o traço, o cadarço, all star azul, um céu azul... devolva-me!
Não fale de mim, não lembre de mim, me esqueça, me deixa, não seja, não leia, não me leia, não me escute, não me cite, não me excite, não aceite se eu voltar, se eu quiser voltar, só se eu quiser!
Me perco na pele que arde, de tanto fingir, se pega mentindo, calunia, transtorno, sabotagem, blindagem, RockRoll! Sexo! Drogas! Rock Roll. Eu, logo eu, tão acostumado com o frio, com o vento, com a pele, as pernas sobre pernas, lareiras, vinhos e xícaras de café fumegante.
Ser ou não ser, que banalidade fútil, que inutilidade útil, tanto quanto não ser é provavelmente uma inexistência do ser. É preciso ser, existir, educar, compactuar, transmitir e transcender. É preciso estar, contemplar, examinar, calcular e ser exposto à necessidade básica e absoluta de amar. É preciso amar, obrigatório, é lei, é ordem, é caos, é preciso temer caos, sacrifício, sangue, mandamento, promessa, inferno, enxofre, sofrimento eterno... Ser é a condição do existir, enquanto existo me submeto à lógica louca que opera a vida humana.
Amar é inevitável!
Roubaram-me, roubaram-me a vida, as delegacias estão cheias, furtos por toda a parte, nada é feito, promessas, promessas, tumultos, manifestos, a bandeira vermelha segue a frente,não são os malditos vermelhos, é sangue, a dor, o copo machucado.
No parlamento, milhões unificam a voz em um coro apocalíptico, c'est la révolution? Não, nem isso nem deixa de ser isso, é a dor, a perca, o assalto, o dano, o prejuízo irrecuperável do amor. É ele, ela, ele que é ela, o amor exigindo mais uma vez sua condição no posto da existência. É ela, ou ele, ou ele e ela reivindicando sua própria negação, incorporado, possuído, encostado, transmutado em transcendido em dor, em ódio, em guerra.
No parlamento, um milhão de pessoas aguardam seus fuzis, enquanto eu – “mor, amor, morzinho” – sento-me só em um apartamento barato do São Francisco para lhe implorar; Devolva-me!
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