quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vende-se caixão funerário, novo, em madeira nova e gavetas com trancas para bens materiais. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Contrato da Sátira


          Loucos sois vos, e Deus? Deus esta morto. Já estava morto na criação, nos setes dias em que enquanto sombra de uma soberaneidade, arquejou a sátira da humanidade, não senhores, não mais que peças do tabuleiro, para que ele em sua eternidade tediosa pudesse jogar os dados com o demônio, sua criação mais poderosa. Loucos! Vos e suas famílias, vos e sua sociedade, que se ocupam comigo e pra que? Pra que meu Deus? O que faz uma pobre mulher que sangra por Eva para merecer essa tortura mental, Por moral e por ética? Futilidades que temos construído sobre areia e que a cada revolução tem seu grito de dor abafado por um novo fôlego de ilusão? Acusam-me e devoram-me por ódio? O que faz de mim merecedora de tanto tormento? Acaso eu perturbei vossos filhos e vossos santos na casa de seu pai?
[...]

Indocato (fragmento)

Não, a mim não foi separado dias monótonos em Itapuã. Não, não! A mim não cabe testamento que me separa a parte mais sem graça da vida. Eu? Eu busco a intensidade da vida, e seu sentido mais alto, lutar, lutar por João, Pereira, Geraldinho, lutar por povo, por mim, por ela que é homem, ele que é gay, ele que era ela e que não é ninguém, não é traveco não é transexo, ninguém aqui quer ser alguém, quem disse que tem que ser, ninguém é ninguém, ninguém é de niguém, ou pelo menos não deveria ser 

Tempo, tac...

Tic-tac (silêncio, pausa)  tic-tac, tic-tac, tic-tac tic-tac tic-tac... tic… tac… tic-tac, tic-tac, tic…..tac (pausa, como se encontrasse a resolução de um problema) O TEMPO! Quem inventou o tempo? Quem será?... Quem foi? Que inventou o tempo? Deus? Não, deus inventou só o dia, e noite é obvio (rindo)... mas o tempo, o tempo mesmo, o tempo contado nos dedos, nas estrelas e nas posições do sol... os egípcios, provavelmente! Se não eles com certeza foram os mesopotâmios! Eu li eu li em livro qualquer destes que agente encontra jogados em cima da mesa, que foi  de Verona o padre louco de merda  que popularizou o tempo... tic... tac. (pausa pensativo). Depois do tempo a vida ficou cinza, é tudo contado, tudo calculado, matematizado e observado. E desde aquele dia o tempo ainda é de fezes![i]. A vida ficou curta, e o tempo que ninguém sabia que existia também encurtou. Bom era quando não tinha tempo, bem antes do narcisista Juliano, sem tempo, sem hora, sem mês, dia ou ano... um instante por toda vida,  toda vida em um instante! O que importa é que agora importa o tempo, e o tempo importa que se a vida é boa, como é para um burguês capitalista, a vida passa, passa rápido,  passa de uma vez...  mas se a vida é foda, como a vida de um proleta comum, a vida encurta, não passa, resiste, machuca e ameaça tornar-se eterna. (Cochichando) A vida, não faz sentido. O tempo é curto pra uns... longo pra outros... O tempo é longo para os apaixonados. Para os proletários e os apaixonados mal amados, viver, quase que não vale a pena, antes não existisse o tempo, (Cochichando) amaldiçoado tempo.


[i] A Flor e a Náusea (Carlos Drummond Andrade)

não-homo


 Às vezes vejo pornô gay, imagino-me dando o cú para um pinto rosa de pelos loiros. Delicio-o em minha boca, passando pelos dentes e por meus lábios. Gozo de prazer, antecipadamente ao gozo oficial. Detenho-me após o auge. Lembro-me de minha heterossexualidade enquanto limpo meu corpo, lamentando que eu não seja gay, apesar de tudo. 
Hoje, senti vontade de assistir um filme francês antigo...
– de misturar a melodia gregoriana com duas xícaras de café fumegante. 
 embaraçar meus pés nos meus, 
nos seus, 
nos teus.

São muitos os "eu te amo" e muitas às fotografias. 
As vezes escrevo livremente, as vezes escrevo para agradar.