sexta-feira, 27 de abril de 2012

Um dia

A revolução tomou-me jovem, 


tinha altura, era negro e barbudo.
Antes disso te conheci,
já à amava, já te adorava.
Não ouve em todo caso, nenhuma reparação de sua parte,  em meu caso.

Foi quando, jovem, pertenci aos vermelhos,
me abasteci do messiânico espírito revolucionário da libertação,
salvou-me por quatro ou cinco anos, minha dedicação cega ao Eterno Comunismo.

Bolívia não era? A essa altura você vagava por dois ou três países Latino Americanos.
Menti! Quando fingi me surpreender quando nos encontramos.
Eu já sabia, a tempo, o dia, à hora o aeroporto e suas conexões.
Fingi, para que não notasse em meu olhos, qualquer sensação indesejada
Amava-te ainda, e de te não pretendeu-se qualquer averiguação do meu caso.


Estava em tais dias, por sorte, ressalva guardo.
Mergulhava no sangue vermelho da revolução,
e ao seu gosto deixava-me partir,
tornando-me pouco a pouco, um pouco de mim.

Até que eu me torna-se uma abstração,

Deixei assim, finalmente de amá-la.
Já foste embora novamente a essa altura.
Agora por praias yankees,
Te apaixonas-te...

Inadvertidamente, fiquei sabendo dos detalhes,
alguns tu mesma os professou a mim,
quando ligava-me das terras inimigas para contar-me em lágrimas,
que havia um novo amor,
excelso amor, que ao invés de sarar, dói.

Perdi ali minhas esperanças,
já estava cansado neste tempo.

Aceitei minha condição do “Grande Amigo”,
coisa que confesso, não doeu,
já estava cicatrizado,
 e mergulhado na enorme piscina vermelha.  

Passaram-se os meses, os anos,

Hoje,
nada de especial aconteceu...
no entanto, muito mais que obstante,
te desejei, como nunca à havia desejado.

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