sexta-feira, 27 de abril de 2012

Tempo, tac...

Tic-tac (silêncio, pausa)  tic-tac, tic-tac, tic-tac tic-tac tic-tac... tic… tac… tic-tac, tic-tac, tic…..tac (pausa, como se encontrasse a resolução de um problema) O TEMPO! Quem inventou o tempo? Quem será?... Quem foi? Que inventou o tempo? Deus? Não, deus inventou só o dia, e noite é obvio (rindo)... mas o tempo, o tempo mesmo, o tempo contado nos dedos, nas estrelas e nas posições do sol... os egípcios, provavelmente! Se não eles com certeza foram os mesopotâmios! Eu li eu li em livro qualquer destes que agente encontra jogados em cima da mesa, que foi  de Verona o padre louco de merda  que popularizou o tempo... tic... tac. (pausa pensativo). Depois do tempo a vida ficou cinza, é tudo contado, tudo calculado, matematizado e observado. E desde aquele dia o tempo ainda é de fezes![i]. A vida ficou curta, e o tempo que ninguém sabia que existia também encurtou. Bom era quando não tinha tempo, bem antes do narcisista Juliano, sem tempo, sem hora, sem mês, dia ou ano... um instante por toda vida,  toda vida em um instante! O que importa é que agora importa o tempo, e o tempo importa que se a vida é boa, como é para um burguês capitalista, a vida passa, passa rápido,  passa de uma vez...  mas se a vida é foda, como a vida de um proleta comum, a vida encurta, não passa, resiste, machuca e ameaça tornar-se eterna. (Cochichando) A vida, não faz sentido. O tempo é curto pra uns... longo pra outros... O tempo é longo para os apaixonados. Para os proletários e os apaixonados mal amados, viver, quase que não vale a pena, antes não existisse o tempo, (Cochichando) amaldiçoado tempo.


[i] A Flor e a Náusea (Carlos Drummond Andrade)

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