Tic-tac
(silêncio, pausa) tic-tac, tic-tac, tic-tac tic-tac tic-tac...
tic… tac… tic-tac, tic-tac, tic…..tac (pausa,
como se encontrasse a resolução de um problema) O TEMPO! Quem inventou o
tempo? Quem será?... Quem foi? Que inventou o tempo? Deus? Não, deus inventou
só o dia, e noite é obvio (rindo)...
mas o tempo, o tempo mesmo, o tempo contado nos dedos, nas estrelas e nas
posições do sol... os egípcios, provavelmente! Se não eles com certeza foram os
mesopotâmios! Eu li eu li em livro
qualquer destes que agente encontra jogados em cima da mesa, que foi de Verona o padre louco de merda que popularizou o tempo... tic... tac. (pausa pensativo). Depois do tempo a
vida ficou cinza, é tudo contado, tudo calculado, matematizado e observado. E
desde aquele dia o tempo ainda é de fezes![i].
A vida ficou curta, e o tempo que ninguém sabia que existia também encurtou.
Bom era quando não tinha tempo, bem antes do narcisista Juliano, sem tempo, sem
hora, sem mês, dia ou ano... um instante por toda vida, toda vida em um instante! O que importa é que
agora importa o tempo, e o tempo importa que se a vida é boa, como é para um
burguês capitalista, a vida passa, passa rápido, passa de uma vez... mas se a vida é foda, como a vida de um
proleta comum, a vida encurta, não passa, resiste, machuca e ameaça tornar-se
eterna. (Cochichando) A vida, não faz
sentido. O tempo é curto pra uns... longo pra outros... O tempo é longo para os
apaixonados. Para os proletários e os apaixonados mal amados, viver, quase que
não vale a pena, antes não existisse o tempo, (Cochichando) amaldiçoado tempo.
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